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Lisboa: A melhor cidade para aqueles que trabalham remotamente

Na altura mais critica da pandemia alguns colaboradores foram obrigados a levar o trabalho para dentro de casa.

A compreensão de que não precisavam de estar restritos a um só local e que podiam trabalhar a partir de qualquer parte do mundo desde que tivessem acesso à internet fez com que a comunidade de nómadas digitais aumentasse consideravelmente.

Este modo de trabalho que permite trabalhar remotamente enquanto se descobre um novo país e se convive com uma nova cultura é agora uma tendência.

Os nómadas digitais são maioritariamente jovens ávidos por conhecer mais locais e mais gentes, que procuram um lugar confortável e interessante para trabalhar remotamente.

Portugal já tinha sido anteriormente considerado um dos países mais procurados pelos nómadas digitais, mas o enfase vai agora para a capital que foi destacada como o lugar no mundo que oferece melhores condições aos executivos.

Quem o diz é a consultora imobiliária Savillis, noticiado pelo Dinheiro Vivo, que analisou e classificou 15 destinos para colaboradores que trabalham à distância.

Em análise, Lisboa demonstrou ser ainda mais vantajosa do que outros destinos como Miami e Dubai. Em quarto lugar ficou outra região portuguesa, o Algarve.

Afinal, o que é que está a atrair os nómadas digitais?

Quando chega a altura de escolher um próximo destino, o clima solarengo e o baixo custo de vida tendem a atrair os trabalhadores remotos para Portugal.

Estes, que procuram trabalhar num ambiente que promova o conforto e o bem-estar descobrem em Portugal o lugar ideal para usufruir do tempo livre na agenda.

Para aumentar a procura contribui ainda o nível de segurança que se encontra em Portugal. A preferência também parece também estar relacionada com o facto de os portugueses terem facilidade em falar inglês, serem simpáticos e amigáveis.

Também neste contexto, a procura por um espaço de trabalho entusiasmante tem continuado a trazer alguns talentos até Lisboa, mesmo após o regresso à normalidade.

Tal como diz a diretora-executiva do Turismo de Lisboa, Paula Oliveira, “Lisboa tem, de facto, excelentes condições para viver, nomeadamente pela sua História e património, vanguardismo, excelentes infraestruturas e beleza natural com uma luminosidade inigualável” e está sem dúvida preparada para apostar neste novo modelo de trabalho.

Por exemplo nos espaços de co-work em Lisboa do cluster criativo LACS é possível reservar um escritório adequado às necessidades de cada um por tempo limitado a um custo simpático. O LACS conta com três espaços de co-work em Lisboa e Cascais e que pretende oferecer um ambiente de comunidade e possibilidade de networking.

O que é Lisboa tem de especial?

O que leva os nómadas digitais a querer passar longas temporadas na capital portuguesa é não só a cultura como também a gastronomia. No topo das cidades portuguesas, Lisboa lidera por ser uma cidade muito viva e rica para quem deseja fazer novos contactos.

A capital respira arte e cultura, oferecendo um espaço que promete aliar prazer e conforto aos períodos de trabalho. A sua localização permite que desfrutem da praia e da serra, trazendo a natureza até ao dia-a-dia dos colaboradores que procuram experiências que estimulem o bem-estar e a criatividade.

Na manutenção da produtividade dos nómadas digitais é essencial o acesso a internet de alta velocidade, um dos pontos que é garantido na capital portuguesa que segundo o relatório da Savillis só fica muito atrás em relação Miami.

Para os empresários da área da tecnologia, Lisboa ganha visibilidade graças ao estatuto que a cidade tem como centro tecnológico. Algumas empresas têm aproveitado os baixos custos imobiliários para mudaram as suas sedes para Portugal.

Em comunicado com António Costa, o chanceler alemão, Olaf Scholz  afirmou que “Lisboa tornou-se num dos epicentros europeus para ‘start-ups’ e para os nómadas digitais em todo o mundo”.

A comunidade em crescimento de nómadas digitais em Lisboa constitui outro fator aliciante. Um dos grupos de Facebook, o Lisbon Digital Nomads and Expats, tem por volta de 29.000 membros.

A existência deste género de grupos é essencial já que possibilita que colaboradores de diferentes partes do mundo se juntem para partilhar experiências e socializar, contribuindo para a sensação de conforto e fraternidade.

Mobilidade e Ambiente

A favor de Lisboa está a acessibilidade ao coração da cidade. A abundância de meios de transporte públicos e a proximidade entre o centro da cidade e o aeroporto Humberto Delgado garantem uma forte conetividade global.

A facilidade de acesso aéreo e ferroviário são uma mais-valia para este tipo de trabalhadores que, por vezes, precisam de se deslocar para poderem reunir com a equipa ou até com a direção das empresas.

Em relação ao meio ambiente, Lisboa apresenta baixo nível de poluição e boa qualidade de vida. Fatores que são muito valorizados atualmente.

Desigualdade de rendimentos nas freguesias de Lisboa

O município de Lisboa distingue-se do restante território português pelos rendimentos superiores dos seus trabalhadores. Contudo, o município regista níveis de desigualdade mais elevados do que a média nacional. E estas desigualdades não estão distribuídas de forma homogénea pelas freguesias do município.

Em 2009 o município de Lisboa tinha 408 837 trabalhadores, empregados em 35 376 estabelecimentos. O salário médio no município era de 1508 €, mais 500 € do que a média nacional desse ano. Se olharmos para o salário mensal médio tendo em conta o sexo dos trabalhadores, torna-se claro que os homens que trabalham no município de Lisboa recebem em média mais 33,7% do que a média nacional; para as mulheres, esta percentagem é de 30%. Se considerarmos as habilitações literárias dos trabalhadores, vemos que os trabalhadores com o nível 3 ou 4 da CITE são os que são mais recompensados por trabalhar no município de Lisboa; ganham, em média, mais 20,7% do que trabalhadores portugueses com as mesmas habilitações literárias.

Em Lisboa, o rácio S80/S20 é de 6,7. Isto significa que os rendimentos dos 20% mais ricos são quase sete vezes mais altos do que os rendimentos dos 20% menos ricos. Em Portugal este indicador é de 4,8. E em Lisboa os 20% com os rendimentos mais altos ganham 47,2% dos rendimentos totais. Esta percentagem também é elevada quando consideramos Portugal (44,7%).

Considerando, por um lado, os benefícios ao nível dos rendimentos que Lisboa tem face ao resto do país, e, por outro, o nível mais elevado de desigualdades que este município apresenta, tentámos perceber estas aparentes contradições recorrendo a uma análise de agrupamento de dados, em que a freguesia é a unidade de análise. As variáveis “rendimento mensal médio”, “classificação das actividades económicas dos estabelecimentos” e “dimensão dos estabelecimentos” foram usadas para esta análise e permitiram-nos definir quatro tipos de configuração de estabelecimentos económicos nas freguesias do município de Lisboa.

O primeiro perfil identificado, chamado “Tamanho maior; predominância de actividades administrativas e financeiras; rendimentos elevados” inclui treze freguesias: Campolide, Coração de Jesus, Mártires, Santa Engrácia, Santa Isabel, Santa Maria dos Olivais, São Domingos de Benfica, São João de Deus, São José, São Mamede, São Nicolau, São Paulo e São Sebastião da Pedreira. Estas são as freguesias em que os estabelecimentos são maiores: em média têm 13,3 trabalhadores (um número mais alto do que a média do município – 11,5 trabalhadores). Neste agrupamento, 19,1% dos estabelecimentos dedicam-se a actividades administrativas ou a serviços de apoio e 13,6% a actividades financeiras e de seguros. Actividades de informação e comunicação também apresentam uma percentagem relevante neste agrupamento: 8,4%.

As onze freguesias seguintes entram no segundo perfil, “Tamanho médio; predominância de actividades administrativas e financeiras; rendimentos medianos”: Alcântara, Alvalade, Campo Grande, Encarnação, Lapa, Lumiar, Nossa Senhora de Fátima, Prazeres, Santa Catarina, São Cristóvão e São Lourenço e São Jorge de Arroios. Aqui os estabelecimentos têm uma média de 9,5 trabalhadores. Actividades administrativas e serviços de apoio correspondem a 24,2% dos estabelecimentos.

O perfil “Tamanho médio; predominância de actividades administrativas e de comércio; rendimentos medianos” refere-se a catorze freguesias: Ajuda, Alto do Pina, Ameixoeira, Benfica, Carnide, Madalena, Marvila, Mercês, Pena, Sacramento, Santa Maria de Belém, Santo Estêvão, Santos-o-Velho e São Francisco Xavier. Em média, os estabelecimentos deste agrupamento têm 9,1 trabalhadores. A actividade “comércio grossista ou a retalho, reparação de veículos a motor e motas” inclui 18,8% dos estabelecimentos (no município a percentagem desta actividade é de 13,2%) e as actividades administrativas e serviços de apoio correspondem a 25% dos estabelecimentos deste agrupamento.

Finalmente, “Tamanho pequeno; predominância de actividades de comércio e serviços alimentares; rendimentos baixos” é o perfil de quinze freguesias: Anjos, Beato, Castelo, Charneca, Graça, Penha de França, Santa Justa, Santiago, Santo Condestável, São João, São João de Brito, São Miguel, São Vicente de Fora, Sé e Socorro. Como o nome do agrupamento indica, aqui os estabelecimentos têm um número mais baixo de trabalhadores: em média 6,2.

O agrupamento em que o rácio S80/S20 é mais baixo é o agrupamento “Tamanho pequeno; predominância de atividades de comércio e serviços alimentares; rendimentos baixos”: 4,0. Neste agrupamento os 20% mais pobres têm 10,4% do rendimento total, a percentagem mais elevada dos quatro agrupamentos. Isto é, apesar de este ser o agrupamento com o rendimento mensal médio mais baixo, é também o agrupamento onde há uma desigualdade de rendimentos entre trabalhadores mais baixa.

Conclusão

No que diz respeito aos rendimentos dos trabalhadores, o município de Lisboa está em vantagem quando comparado com o resto do país. Em 2009 o rendimento mensal médio do município era superior em 458 € ao rendimento médio nacional. A diferença entre os sexos mostra que a disparidade é maior entre os homens do que entre as mulheres; estes ganhavam mais 579 € (33,7%) em Lisboa do que a nível nacional, estas mais 385 € (30%). Ainda assim, as mulheres que trabalham em Lisboa apresentam um rendimento médio mensal superior ao dos homens quando se considera a realidade do país.

Analisando os rendimentos médios dos trabalhadores tendo em conta as suas habilitações literárias mostra que também aqui o município de Lisboa se destaca face ao resto do país: independentemente das habilitações literárias dos trabalhadores, em média os rendimentos em Lisboa são mais altos do que os rendimentos nacionais.

Para mais, as discrepâncias entre Lisboa e Portugal relacionadas com as habilitações literárias dos trabalhadores revelam-se não só no nível dos salários, mas também no perfil escolar dos trabalhadores. No município de Lisboa as percentagens de trabalhadores com o nível 5 ou 6 ou 3 ou 4 da CITE são substancialmente superiores, enquanto que a relevância daqueles que têm o nível 2 ou 0 da CITE é mais baixa.

Mas a posição aparentemente privilegiada de Lisboa face ao resto do país esconde situações de maior desigualdade e disparidade salarial. O rácio S80/S20 no município de Lisboa é de 6,7, enquanto que, se considerarmos todo o país, o valor deste indicador é de 4,8. Isto significa que apesar do rendimento mensal médio no município de Lisboa ser mais alto do que o nacional, há uma maior disparidade de rendimentos.

A análise de agrupamento de dados desenvolvida aqui, em que as freguesias foram a unidade de análise, permitiu-nos ficar a conhecer a distribuição espacial das desigualdades no município de Lisboa. Identificámos quatro grupos de freguesias, em que aquele com o rendimento médio mais elevado é também atravessado por um maior nível de desigualdade. Pelo contrário, o grupo de freguesias onde, em média, o rendimento médio é mais baixo é também o grupo em que as desigualdades nos rendimentos dos trabalhadores são menos pronunciadas.

Por outro lado, o agrupamento com o rendimento mensal médio mais alto e com os níveis de desigualdade mais acentuados é o mesmo em que as habilitações literárias são mais altas. No agrupamento menos desigual e com os rendimentos médios mais baixos, as habilitações literárias dos trabalhadores são as mais baixas do município.